Delegado fala sobre segunda fase de inquérito sobre venda de sangue de gatos em Monte Alto
A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público (MP) e tornou réus cinco investigados na segunda fase do caso da venda clandestina de sangue de gatos em Monte Alto (SP). Segundo a Polícia Civil, dois deles são médicos veterinários.
A decisão foi assinada na quinta-feira (10) pela juíza Suellen Rocha Lipolis, da 2ª Vara de Monte Alto. Com ela, três acusados passam a responder por maus-tratos a animais, por seis vezes, e por associação criminosa.
Outros dois respondem apenas por associação criminosa. Segundo a decisão, os maus-tratos atribuídos aos dois já são tratados em outro processo.
Os réus ainda serão citados e terão 10 dias para responder à acusação por meio de advogado.
Na decisão, a juíza afirma haver indícios de que os crimes ocorreram e de quem seriam os autores, requisito para abrir a ação penal. O recebimento da denúncia não é uma condenação. As provas serão analisadas ao longo do processo.
Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp
Gatos foram encontrados desacordados em clínica clandestina de coleta de sangue em Monte Alto, SP
Polícia Civil
Se os acusados não apresentarem resposta nem contratarem advogado no prazo, a juíza determinou que seja pedida a nomeação de um defensor indicado pela Justiça por meio da Defensoria Pública do Estado.
Quando o crime de maus-tratos envolve cães ou gatos, a Lei de Crimes Ambientais prevê pena de 2 a 5 anos de reclusão, além de multa e proibição da guarda de animais. Para associação criminosa, o Código Penal prevê de 1 a 3 anos de reclusão.
O que diz a investigação
Segundo a Polícia Civil, o grupo captava animais, fazia coletas clandestinas de sangue e depois vendia o material de forma irregular. A investigação aponta atuação em Monte Alto, São José do Rio Preto (SP), Mirassol (SP), Catanduva (SP) e região.
Ainda de acordo com a polícia, entre os denunciados estão uma médica veterinária de São José do Rio Preto, um médico veterinário ligado a um banco de sangue animal e um lavrador de Monte Alto. A corporação não informou o perfil dos outros dois.
A investigação diz ter identificado funções diferentes no grupo, do financiamento e da coordenação à captação dos animais e à execução das coletas. A polícia não informou o papel atribuído a cada um.
Segundo o delegado Marcelo Lourenço dos Santos, responsável pelo caso, não houve mandados de busca e apreensão nesta fase. As provas incluem laudos periciais, análise de celulares, documentos financeiros e depoimentos, de acordo com a Polícia Civil.
Conforme a corporação, o MP afirmou na denúncia que a atividade era uma prática permanente e organizada, e não um fato isolado. Para a promotoria, segundo a polícia, isso impede benefícios previstos para infrações de menor gravidade.
Coleta clandestina de sangue de animais era feita em casa com condições insalubres em Monte Alto, SP
Polícia Civil
LEIA TAMBÉM
MP denuncia 2 veterinários e mais 3 investigados após novo inquérito sobre venda de sangue de gatos em SP
Venda de sangue de gatos no interior de SP: o que se sabe sobre o caso
Trio é preso suspeito de venda clandestina de sangue de gato no interior de SP
Anúncio oferecia R$ 50 a tutores por coleta clandestina de sangue de gato no interior de SP
Como começou o caso
O caso veio à tona no início de outubro de 2025, a partir de um anúncio em status de WhatsApp que oferecia R$ 50 por gato a tutores dispostos a permitir a retirada de sangue dos animais.
A partir do anúncio, a Guarda Civil Municipal chegou a uma casa em Monte Alto. No local, os guardas encontraram um grupo de pessoas, algumas manuseando equipamentos de uso veterinário, e seis gatos desacordados. Seringas e frascos de sangue foram apreendidos, e os animais foram resgatados.
Três pessoas foram presas em flagrante, entre elas um estudante de veterinária. Só ele foi mantido preso após a audiência de custódia. Segundo o delegado, ele foi solto durante o processo.
Em outubro de 2025, a defesa do estudante afirmou que ele é inocente e que não há lei que proíba bancos de sangue para animais nem que criminalize, por si só, a coleta de sangue de cães e gatos com finalidade terapêutica. Segundo a defesa, até aquele momento não havia laudo técnico apontando lesão, morte ou sofrimento dos animais.
Os denunciados na primeira fase viraram réus em 31 de outubro de 2025, segundo o sistema do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Esse processo tramita na 2ª Vara de Monte Alto.
Gato resgatado de esquema ilegal de coleta de sangue em Monte Alto, SP
Polícia Civil
Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca
VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região
Fonte: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/09/15/justica-torna-reus-2-veterinarios-e-mais-3-pessoas-em-caso-de-venda-de-sangue-de-gatos-em-monte-alto-sp.ghtml
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/6/1/hyTzv6QAiClwnWxTe6sQ/gatos-desacordados.jpg)






