A troca frequente de óculos pode ser encarada como uma simples consequência do crescimento, especialmente na adolescência. No entanto, é fundamental estar atento a essa mudança, pois pode indicar a presença do ceratocone, uma condição que afeta a córnea, levando ao seu afinamento e a uma deformação na sua curvatura, resultando em uma visão comprometida.
Recentemente, um estudo brasileiro divulgado na Revista Brasileira de Oftalmologia, que envolveu 879 adultos, trouxe à luz uma preocupação significativa: 45,8% dos entrevistados nunca haviam ouvido falar sobre ceratocone, enquanto apenas 31,5% demonstraram algum conhecimento sobre a doença. A pesquisa também revelou que 42,1% dos participantes tinham alergias oculares e 31,3% admitiram o hábito de esfregar os olhos com frequência, comportamentos que exigem atenção especial, principalmente entre aqueles com predisposição ao ceratocone.
De acordo com o oftalmologista Jae Min Lee, da Hapvida, o ceratocone tende a se manifestar mais frequentemente durante a adolescência, com uma forte influência genética. “Embora a predisposição genética exista, a doença se torna mais aparente entre os 13 e 14 anos. A progressão ocorre ao longo da adolescência e do início da fase adulta, estabilizando-se, em média, por volta dos 25 anos, sendo raras as evoluções após os 30 anos”, explica.
Nos estágios iniciais, a condição pode não apresentar sintomas claros, sendo o aumento do grau dos óculos, principalmente do astigmatismo, um dos primeiros sinais. “O aumento do grau pode ser confundido com uma simples atualização da correção visual, já que o paciente tende a enxergar melhor após a troca dos óculos”, ressalta Lee.
Contudo, à medida que a doença avança, a correção óptica pode se tornar insuficiente. “Um aumento rápido no grau, especialmente do astigmatismo, merece a atenção do oftalmologista. Embora nem toda alteração signifique ceratocone, uma mudança significativa ou recorrente, especialmente em jovens, deve ser acompanhada de uma avaliação médica”, orienta o especialista.
Detecção precoce: um passo crucial
O diagnóstico precoce do ceratocone é vital, pois tratamentos existem para interromper ou estabilizar a progressão da doença, como o crosslinking corneano, que fortalece a córnea e impede a evolução do ceratocone em pacientes.
“Identificar a doença em sua fase inicial pode mudar seu curso. Embora o uso de óculos apenas corrija a visão, o crosslinking pode estabilizar a córnea e evitar que o ceratocone avance”, enfatiza o oftalmologista. Apesar disso, ele destaca que o tratamento não cura a condição. “O paciente continuará com ceratocone, mas a meta é mantê-lo estabilizado, especialmente se agirmos na fase inicial”, completa.
Fique atento aos sinais
- Aumento rápido ou frequente do grau dos óculos;
- Aumento significativo do astigmatismo;
- Progressão acelerada da miopia;
- Visão embaçada ou distorcida;
- Dificuldade para enxergar, mesmo com óculos novos;
- Trocas frequentes de correção visual;
- Coceira ou hábito de esfregar os olhos;
- Alterações visuais que surgem na adolescência.
Cuidados essenciais
- Realizar acompanhamento oftalmológico periódico em crianças e adolescentes;
- Consultar um oftalmologista em casos de mudanças frequentes no grau;
- Evitar coçar ou esfregar os olhos repetidamente;
- Pessoas com alergias oculares devem buscar avaliação médica;
- Embora os óculos corrijam a visão, não previnem a progressão do ceratocone;
- Exames específicos são necessários para confirmar o diagnóstico em caso de suspeita;
- Identificar a progressão precocemente aumenta as chances de estabilização com tratamento adequado.







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